terça-feira, 20 de setembro de 2011

A primeira das cartas abortadas


     Não sei como começar esta carta que há muito deveria ter sido enviada. Já perdi as contas de quantas vezes relembrei nossos momentos, transcrevi, rabisquei, li e reli trechos que já não me abalam mais.
     Ouvi dizer que guardar sentimentos que se quer dividir amargura o peito, corroe a alma; e sabe Deus que eu não quero isso pra mim. Eu tenho muito medo de gente infeliz!
     É, então, por meio desta que escancaro-te tudo o que sinto. Sabes bem que ojerizo a ideia de abrir-me, mostrar-me cara a cara. A covardia faz-me escrever-te tudo o que muitas vezes deveria ser dito. Esta é uma das ocasiões, tenho "n" razões para calar-me, contudo, a emoção opta por redigir.
     Quando, por Leoni soube que ''tantos sonhos morrem em poucas palavras'' - e planos e ninhos - tive a comprovação de que o meu tinha chegado ao fim. Sem ao menos ter tido a certeza de que havia começado.
     algo bom, tão doce e suave. O sentimento mais sublime que habitou o meu ser. Eu nem imaginava que existisse algo assim. Era quase divino.
     O que fazer com os momentos, as lembranças que ainda insistem em rondar meu pensamento? O que é que eu faço com os planos que, antes eram nossos, ficaram sendo meus? Como acabar com essa dor que definha-me dia após dia?
     Não tem sido fácil ter que derrubar tantas certezas, ter que conviver, inutilmente, com esse amor.
     Hoje sigo o meu caminho dilacerado por dentro. Toneladas habitam o lugar de um sentimento que era teu. Quilos e quilos de um pesar que enterram o passado, cavam, afundam e não partem jamais.
                     
                                                    Jéssica Souza - 04/04/2011

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