Estava ali, sempre estivera. Eu, de tão tola, não percebi. Agora vejo o quanto este erro me custou. Marcas do passado não são manchas fáceis de se retirar.
Livros; uma, duas, três xícaras de café - amargos, tal qual as lembranças. É difícil ter que conviver com verdades devastadoras, chegam sem avisar. Ter que carregar consigo este fardo que me neutraliza de tão pesado. Passam-se os dias, passam-se os anos... Santo Cristo, não é fácil. É desesperador!
Encontro-me, neste exato momento, prostrada no banheiro. Ergo-me, olho-me no espelho: Um rosto sombrio, uma cara pálida. O que aconteceu comigo? Já não reconheço a minha face. Bom, o que quer que tenha acontecido posso te falar com uma clareza quase cristalina que a mudança não foi pra melhor.
Tem-se tudo e um pouco mais; mas não se é completo se não tens um amor. Torna-se um ser pela metade e é esse meio que corroe. Mas além de toda dor, das noites mau dormidas, da vida sem cor; há ainda a vontade de manter essas lembranças, de não deixa-las partir. Mas é necessário. Há dias bonitos lá fora, flores, brisa, brilho.
É quase um egoismo querer viver com toda esta dor, carrega-la para sempre, sem partilha. Estou consciente de que é chegada a hora de acabar com todo este sofrimento; clamo a Deus que ciente também fique o meu coração.
J.S.S.C.
03.06.2011

Adoro tua escrita. Esse teu jeito de discorrer sobre o amor, revelando-o facetas comuns e incomuns ao mesmo tempo.
ResponderExcluirAlgo que por tanta sensibilidade, por si só já seria lindo, mas que por ser um registro evidentemente especial o faz intenso, vivido.
Parabéns Jéssica, adorei o teu texto, e o teu espaço '-'